Ao construir um relacionamento a dois deve-se abdicar-se de muitas coisas aprender a ouvir e a lidar com inúmeras situações, mas nunca deixar que o Amor seja esquecido...
Foi o que aconteceu após várias tentativas de construir uma vida(família), com uma pessoa insensata ou case insana, me custou muito caro ou por hora muito sofrido. O que podemos levar em consideração foi a vinda de uma serzinho que mudou e está mudando minha vida.
Um filho para uns pode parecer o final de muita coisa, porém para mim é um pedaço de mim que na sua ausência me custa muita dor e sofrimento, ainda mais sabendo que sua mãe o usa como arma, um especie de tortura psicológica ao usa-lo como objeto de direito sem levar em consideração a minha pessoa, o " papai".
"Papai" foi a palavras de ouvi ele dizer, palavra que hoje me dói de não ouvir. Uma justiça maternalista, "Sem olhos", o que eu posso esperar...
...Aguardo a suas diretrizes senhora sabedora da verdade. Espero que não seja tarde para perder tempo com meu filho.Um dia irá ler cada desafios enfrentado pelo seu e pai e irá dizer meu "herói"
Estou aguardando...
Rodrigo Souza
Rodrigo Souza
domingo, 5 de fevereiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Você sabia?
Através de um debate que está sendo feito sobre algumas "faltas de verdade" aqui em Toledo, Dornelles Major lembrou muito bem outros fatos "meio que esquecidos" da verdadeira história da nossa querida cidade. Por isso decidi copiar e colar logo a baixo.
Dornelles diz:
"A história de Toledo é pouco e mal contada. Existem fatos e acontecimentos que são propositadamente escondidos. Para ter acesso a eles tem que ir na fonte. Infelizmente, muitos pioneiros estão nos deixando e não poderão mais testemunhar o que realmente aconteceu em cada era.
Mas nós ainda podemos citar algumas coisas para informar quem é leigo e quem sabe relembrar quem viveu.
Em 1992, a direitona da cidade conseguiu pela 1 vez se reunir sob uma só candidatura. Atilio Marostica, pelo PMDB, com apoio do suplente de deputado, Duílio Genari e dos partidos que compunham a antiga ARENA (PDS;PFL).
Sofreram derrota acachapante para o Corazza, que sem aliança, em um partido com poucos anos de organização na cidade (PDT) fez mais de 70% dos votos válidos.
Eles jamais esqueceram-se dessa derrota. E trabalharam durante os quatro anos de mandato do Corazza para que tudo desse errado. E deu no que deu.
A coopagro quebrou. Não, não quebrou não, ela foi quebrada. Foi falida e muitos se beneficiaram, direta ou indeiretamente com sua falencia. Quantas cerealistas particulares prosperaram com isso? Quantos advogados lucraram com causas trabalhistas e patronais? Até outras cooperativas se aproveitaram do espaço vago da coopagro. Muitos lucraram, menos o município e o povo. Conta-se que foram extintos mais de 4000 empregos, da noite para o dia. Quanto o município deixou de arrecadar?
O pior é que a Coopagro poderia ter sido salva, assim como foi salva a Coopavel, Coopagril e tantas outras. Mas ela precisava quebrar para alguns lucrarem muito.
Nos anos de 1993;1996 tambem houve em Toledo uma campanha para que ninguem recolhesse os impostos municipais. De fato, muito dinheiro deixou de entrar. As pessoas não pagavam IPTU, compravam veículos e emplacavam em outros municípios e até o ICMS era recolhido fora de Toledo, quando a própria SADIA passou a recolher ICMS na origem.
Em 1994 Toledo elegeu novamente um dep federal e um estadual. O que eles fizeram? Barraram tudo que poderia vir para Toledo, para destruir de vez uma administração que já andava capenga.
São fragmentos de uma história sordida, que ninguém ousa contar. Por medo. Medo das retaliações que este grupo é capaz de fazer."
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
João Dias, fonte da Veja, é preso no DF
Por Altamiro Borges
O policial João Dias, o bandido usado como principal fonte da revista Veja para derrubar o ministro Orlando Silva, dos Esportes, foi preso na tarde de hoje (7) em Brasília. Ele tentou invadir a sala do secretário do Governo do Distrito Federal, Paulo Tadeu, no Palácio Buriti. Carregando uma mala com cerca de R$ 200 mil, o “maluco” berrou palavrões e agrediu três pessoas.
Bem que a revista Veja, que deu tanta acolhida ao sinistro policial – acusado de desvio de recursos de convênios na área do esporte, de enriquecimento ilícito (uma mansão, três carrões importados e duas academias de ginástica) e até de homicídio –, poderia contratá-lo. O sujeito parece transtornado com o fim dos holofotes. Ele poderia ser instalado ao lado de outro “doente”, o blogueiro pitbull da Veja.
Abaixo, as matérias publicadas no blog de Lilian Tahan, do Correio Braziliense, a primeira a noticiar o inusitado acontecimento; as duas notas da Secretaria de Comunicação do Governo do Distrito Federal e a nota da Polícia Civil.
*****
João Dias é preso por segurança do Palácio do Buriti
Pivô do escândalo que derrubou o ministro Orlando Silva, João Dias invadiu nesta tarde a Secretaria de Governo comandada por Paulo Tadeu.
O policial militar, segundo testemunhas, agrediu duas funcionárias do secretário Paulo Tadeu. Uma delas é conhecida por Paulinha e a outra chama-se Niedja.
João Dias carregava um pacote de dinheiro vivo que também, segundo testemunhas, ele teria jogado em cima da mesa. João Dias pretendia ser recebido por Paulo Tadeu, mas acabou preso pela segurança interna do Palácio do Buriti.
João Dias presta depoimento na delegacia
João Dias presta depoimento na 5ª Delegacia de Polícia, no Setor Bancário Norte.
O policial militar tentou invadir nesta tarde o gabinete do secretário de Governo, Paulo Tadeu. João Dias entrou pelo anexo do Palácio do Buriti sem ter sido notado.
Segundo testemunhas, ele teria pichado com um monte de palavrões a lataria de um carro que seria de Paulo Tadeu. A assessoria do governo, no entanto, não confirma a informação.
Já na ante-sala do gabinete de Paulo Tadeu, o policial militar disse que precisava ser atendido pelo secretário. Mas Paulo Tadeu estava em reunião na Residência Oficial de Águas Claras. Muito exaltado, com um saco de dinheiro vivo na mão e sem conseguir o que queria, ele agrediu duas servidoras (Niedja e Paulinha) do Palácio do Buriti.
Segundo testemunhas, Niedja teria levado um soco no rosto.
A polícia do Palácio foi acionada e um dos seguranças teria também se machucado (quebrado um dedo) ao tentar conter João Dias.
Assessores de Paulo Tadeu estão reunidos neste momento no gabinete do secretário. Em breve vão divulgar uma nota oficial sobre o episódio.
João Dias foi o delator de um suposto esquema de corrupção envolvendo o programa Segundo Tempo do governo federal e ONGs ligadas ao PCdoB. O escândalo derrubou Orlando Silva do Ministério dos Esportes e acabou respingando no governador Agnelo Queiroz que, quando era do PCdoB e ocupava o cargo de ministro dos Esportes, criou o programa Segundo Tempo.
*****
Notas da Secretaria de Comunicação do GDF
A equipe de segurança do Palácio do Buriti teve que retirar do prédio na tarde de hoje o policial militar João Dias após ele agredir duas servidoras da Secretaria de Estado de Governo.
João Dias teve que ser contido pelos seguranças já que apresentava comportamento agressivo e foi encaminhado à Polícia Civil, que tomará as medidas legais pertinentes ao caso.
Quanto ao secretário de Governo, Paulo Tadeu, ele não se encontrava no Palácio durante o episódio. O secretário e outras autoridades do GDF participavam de reunião com os governadores do Centro-Oeste na Residência Oficial de Águas Claras.
A segurança do Palácio do Buriti abriu procedimento para apurar como se deu o acesso de João Dias ao Préio. O Governo do Distrito Federal também vai apurar com que objetivos escusos o policial apareceu nesta tarde de forma despropositada no Palácio do Buriti.
Complemento
A Polícia Civil do Distrito Federal informou que, após ser preso no Palácio do Buriti e conduzido à 5ª Delegacia de Polícia, João Dias foi autuado pelos crimes de injúria, por insultar de forma racista uma das servidoras, e pelo menos duas lesões corporais, contra a outra funcionária e um policial militar em serviço da equipe de segurança do Palácio.
Ao término da autuação na delegacia, João Dias será encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar.
A Polícia Civil informou ainda que foram recolhidas na Secretaria de Governo cédulas de dinheiro que João Dias teria jogado sobre a mesa das servidoras, que reagiram contra a agressão e absurda situação. As notas serão periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, que vai apurar a origem do dinheiro.
*****
Nota da Polícia Civil do DF
A Polícia Civil do DF informa que nesta data foi lavrado, na 5ª DP, auto de prisão em flagrante em razão da prisão do policial militar João Dias, o qual cometeu os crimes de injúria de cunho racial, lesão corporal e vias de fato, no interior do Palácio do Buriti.
No local, foi arrecadada pelo Instituto de Criminalística da PCDF a quantia de R$ 159 mil reais, em espécie, a qual será encaminhada à Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (DECO), visando apurar a sua origem.
Após as oitivas de todos os envolvidos, encaminhamento das vítimas ao IML e demais providências legais cabíveis, todos serão liberados.
O autuado, após o pagamento de fiança arbitrada, será liberado e conduzido pela Polícia Militar para a adoção das providências administrativas cabíveis, em razão da sua condição de militar.
O policial João Dias, o bandido usado como principal fonte da revista Veja para derrubar o ministro Orlando Silva, dos Esportes, foi preso na tarde de hoje (7) em Brasília. Ele tentou invadir a sala do secretário do Governo do Distrito Federal, Paulo Tadeu, no Palácio Buriti. Carregando uma mala com cerca de R$ 200 mil, o “maluco” berrou palavrões e agrediu três pessoas.
Bem que a revista Veja, que deu tanta acolhida ao sinistro policial – acusado de desvio de recursos de convênios na área do esporte, de enriquecimento ilícito (uma mansão, três carrões importados e duas academias de ginástica) e até de homicídio –, poderia contratá-lo. O sujeito parece transtornado com o fim dos holofotes. Ele poderia ser instalado ao lado de outro “doente”, o blogueiro pitbull da Veja.
Abaixo, as matérias publicadas no blog de Lilian Tahan, do Correio Braziliense, a primeira a noticiar o inusitado acontecimento; as duas notas da Secretaria de Comunicação do Governo do Distrito Federal e a nota da Polícia Civil.
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João Dias é preso por segurança do Palácio do Buriti
Pivô do escândalo que derrubou o ministro Orlando Silva, João Dias invadiu nesta tarde a Secretaria de Governo comandada por Paulo Tadeu.
O policial militar, segundo testemunhas, agrediu duas funcionárias do secretário Paulo Tadeu. Uma delas é conhecida por Paulinha e a outra chama-se Niedja.
João Dias carregava um pacote de dinheiro vivo que também, segundo testemunhas, ele teria jogado em cima da mesa. João Dias pretendia ser recebido por Paulo Tadeu, mas acabou preso pela segurança interna do Palácio do Buriti.
João Dias presta depoimento na delegacia
João Dias presta depoimento na 5ª Delegacia de Polícia, no Setor Bancário Norte.
O policial militar tentou invadir nesta tarde o gabinete do secretário de Governo, Paulo Tadeu. João Dias entrou pelo anexo do Palácio do Buriti sem ter sido notado.
Segundo testemunhas, ele teria pichado com um monte de palavrões a lataria de um carro que seria de Paulo Tadeu. A assessoria do governo, no entanto, não confirma a informação.
Já na ante-sala do gabinete de Paulo Tadeu, o policial militar disse que precisava ser atendido pelo secretário. Mas Paulo Tadeu estava em reunião na Residência Oficial de Águas Claras. Muito exaltado, com um saco de dinheiro vivo na mão e sem conseguir o que queria, ele agrediu duas servidoras (Niedja e Paulinha) do Palácio do Buriti.
Segundo testemunhas, Niedja teria levado um soco no rosto.
A polícia do Palácio foi acionada e um dos seguranças teria também se machucado (quebrado um dedo) ao tentar conter João Dias.
Assessores de Paulo Tadeu estão reunidos neste momento no gabinete do secretário. Em breve vão divulgar uma nota oficial sobre o episódio.
João Dias foi o delator de um suposto esquema de corrupção envolvendo o programa Segundo Tempo do governo federal e ONGs ligadas ao PCdoB. O escândalo derrubou Orlando Silva do Ministério dos Esportes e acabou respingando no governador Agnelo Queiroz que, quando era do PCdoB e ocupava o cargo de ministro dos Esportes, criou o programa Segundo Tempo.
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Notas da Secretaria de Comunicação do GDF
A equipe de segurança do Palácio do Buriti teve que retirar do prédio na tarde de hoje o policial militar João Dias após ele agredir duas servidoras da Secretaria de Estado de Governo.
João Dias teve que ser contido pelos seguranças já que apresentava comportamento agressivo e foi encaminhado à Polícia Civil, que tomará as medidas legais pertinentes ao caso.
Quanto ao secretário de Governo, Paulo Tadeu, ele não se encontrava no Palácio durante o episódio. O secretário e outras autoridades do GDF participavam de reunião com os governadores do Centro-Oeste na Residência Oficial de Águas Claras.
A segurança do Palácio do Buriti abriu procedimento para apurar como se deu o acesso de João Dias ao Préio. O Governo do Distrito Federal também vai apurar com que objetivos escusos o policial apareceu nesta tarde de forma despropositada no Palácio do Buriti.
Complemento
A Polícia Civil do Distrito Federal informou que, após ser preso no Palácio do Buriti e conduzido à 5ª Delegacia de Polícia, João Dias foi autuado pelos crimes de injúria, por insultar de forma racista uma das servidoras, e pelo menos duas lesões corporais, contra a outra funcionária e um policial militar em serviço da equipe de segurança do Palácio.
Ao término da autuação na delegacia, João Dias será encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar.
A Polícia Civil informou ainda que foram recolhidas na Secretaria de Governo cédulas de dinheiro que João Dias teria jogado sobre a mesa das servidoras, que reagiram contra a agressão e absurda situação. As notas serão periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, que vai apurar a origem do dinheiro.
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Nota da Polícia Civil do DF
A Polícia Civil do DF informa que nesta data foi lavrado, na 5ª DP, auto de prisão em flagrante em razão da prisão do policial militar João Dias, o qual cometeu os crimes de injúria de cunho racial, lesão corporal e vias de fato, no interior do Palácio do Buriti.
No local, foi arrecadada pelo Instituto de Criminalística da PCDF a quantia de R$ 159 mil reais, em espécie, a qual será encaminhada à Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (DECO), visando apurar a sua origem.
Após as oitivas de todos os envolvidos, encaminhamento das vítimas ao IML e demais providências legais cabíveis, todos serão liberados.
O autuado, após o pagamento de fiança arbitrada, será liberado e conduzido pela Polícia Militar para a adoção das providências administrativas cabíveis, em razão da sua condição de militar.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Carta de apoio da JPT Paraná
A Juventude do Partido dos Trabalhadores do Paraná vem por meio desta carta declarar total apoio a postura de militante da jovem, mulher e petista, companheira Amanda Jaqueline Teixeira, no último dia 05 de dezembro, durante a ocupação do plenário da Assembléia Legislativa do Paraná.
Nós jovens petistas, entendemos que a ocupação deu evidência sobre o Projeto de Lei 915/2011 que privatiza os serviços públicos no Paraná.
Apoiamos o ato e não aceitamos a atitude arbitrária do presidente da casa, Valdir Rossoni (PSDB) e da mesa diretora em exonerar a companheira Amanda, como se fosse uma caça às bruxas.
Pela liberdade de expressão!
Contra a privatização!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Se caráter custa caro, pago o preço
Parar, não paro.
Esquecer,
esquecer não esqueço.
Se caráter custa caro,
pago o preço.
Pago, embora seja raro.
Mas homem não tem avesso
e o peso da pedra
eu comparo à força do arremesso.
Um rio, só se for claro.
Correr sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro,
não paro, nem mereço.
E que ninguém me dê amparo,
nem me pergunte se padeço.
Não sou, nem serei avaro.
Se caráter custa caro,
pago o preço.
Sidónio Muralha
esquecer não esqueço.
Se caráter custa caro,
pago o preço.
Pago, embora seja raro.
Mas homem não tem avesso
e o peso da pedra
eu comparo à força do arremesso.
Um rio, só se for claro.
Correr sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro,
não paro, nem mereço.
E que ninguém me dê amparo,
nem me pergunte se padeço.
Não sou, nem serei avaro.
Se caráter custa caro,
pago o preço.
Sidónio Muralha
CIENCIAS NATURAIS E MÉDICAS – A Civilização árabe (1884)
CIENCIAS NATURAIS E MÉDICAS
CIÊNCIAS NATURAIS
( Estava lendo um artigo muito bom sobre os árabes e decidi partilhar com vocês. É bom conhecermos um pouco mais sobre outras culturas e povos, boa leitura, abraços. Rodrigo Souza)
A historia natural, para os árabes, reduziu-se no principio a comentar aobra de Aristóteles; mas logo eles preferiram estudar os livros, e por isso lhes devemos várias excelentes obras sobre os animais, as plantas, os metais, os fósseis, etc.
Um dos naturalistas árabes mais conhecidos é Kazwiny, falecido em 1283, apelidado o Plínio dos orientais; suas obras consistem especialmente em descrições do gênero das de Buffon.
![]() |
| Entrada de uma das salas da Universidade de El Azhar, no Cairo (Ebers). |
Os árabes não conheceram as grandes generalizações, nem classificações análogas às dos modernos, não obstante se encontrarem naqueles livros passagens onde eles parecem ter pressentido algumas das mais importante descobertas da ciência atual. Vemos assim que no tratado das pedras escrito por Avicena há um capítulo sobre a origem das montanhas discrepando muito pouco do que hoje se ensina, como se poderá .comprovar peles parágrafos seguintes:
"As montanhas podem provir de duas causas: ou são efeito do levantamento da crosta terrestre, como sucede num violento terremoto, ou são efeito da água, a qual, abrindo novos caminhos formou os vales, ao mesmo tempo que produziu as montanhas. Havendo rochas moles e rochas duras, a água e o vento arrastam as primeiras, ao passo que deixam as outras intactas, sendo essa a origem da maior parte das eminências terrestres.
"Os minerais têm a mesma origem das montanhas, sendo necessários muitos períodos de tempo para que se verifiquem essas mudanças. Talvez as montanhas comecem agora a diminuir."
O autor chega a alegar provas em apoio do que acaba de expor, pois "com efeito — diz êle, — a prova de que nisso a água foi o agente principal está em que em muitas rochas se vê a estampa de animais aquáticos e de outro gênero; com respeito à matéria terrosa e amarela que cobre a superfície das montanhas, ela não tem a mesma origem que o esqueleto destas, antes procede da desorganização dos restos de ervas e limo trazidos pela água, ou talvez do antigo limo do mar que cobria antes toda a terra".
A idéia de que as profundíssimas transformações do globo, longe de resultarem de grandes cataclismos, segundo acreditava Cuvier, resultam apenas de mudanças lentíssimas, acumuladas durante séculos, como o prova a geologia atual, acha-se claramente indicada na passagem anterior.
A noção das transformações da superfície terrestre em conseqüência da mudança de situação dos mares e de alterações na configuração do solo, estava tão generalizada entre os sábios árabes que já havia penetrado nas massas populares.
Assim o indica a seguinte alegoria, tirada de uma obra do naturalista Kazwiny, de quem falamos há pouco.
"Certo dia, disse Rhidz (um gênio), passava eu por uma cidade muito antiga. — Sabes quando foi fundada esta cidade? — perguntei a um de seus habitantes. — Oh! não o sabemos, e nossos antepassados também o não souberam".
"Mil anos depois, passando pelo mesmo local, debalde procurei a cidade que ali deixara e me havia chamado a atenção, mas em vez dela encontrei apenas vegetais cobrindo a superfície e um pastor que recolhia erva.
"— Sabes — perguntei-lhe, — como foi destruída a cidade que antigamente existiu no próprio sítio onde te encontras? — Ora, que pergunta! esta terra sempre foi como agora a estamos vendo".
"Decorreram mais mil anos, e tornando a passar por aquele mesmo local, avistei um imenso lago, um mar, e na sua praia um grupo de pescadores aos quais perguntei desde quando o mar se estendera até ali. Ao que eles responderam: "Será possível que um homem da sua aparência faça semelhante pergunta? Este lago sempre aqui existiu".
Os naturalistas árabes dedicaram-se também ao estudo da botânica, especialmente em suas aplicações à medicina, e possuíam jardins botânicos onde se cultivavam certas plantas raras e curiosas. No século X Granada já tinha um, magnífico, e Abderraman I não só teve outro perto de Córdova como enviou naturalistas à Síria e outras regiões asiáticas com a fim de lhe trazerem as plantas mais raras.
II
CIÊNCIAS MÉDICAS
A medicina, a astronomia, as matemáticas e a química são as ciências que os árabes cultivaram com preferência, bem como aquelas em que mais importantes progressos realizaram; suas obras de medicina, por terem sido traduzidas em toda a Europa, salvaram-se da destruição que atingiu seus demais livros.
Obras de medicina dos árabes. — São tão numerosos os autores árabes que escreveram sobre medicina que Abu Us buaah lhes dedica um volume completo de sua biografia, de modo que nos limitaremos a citar alguns dos mais conhecidos.
A medicina estava mais adiantada entre os gregos que as outras ciências, motivo pelo qual os árabes encontraram em
seus livros dados preciosos. A primeira tradução dos livros gregos foi feita por Aarão em 685, e sua coleção publicada sob o título de Pandectas é um extrato dos antigos livros de medicina, sobretudo de Galeno; após esta vieram logo as traduções dos livros de Hipócrates, Paulo de Egina e outros.
Um dos mais famosos médicos árabes foi Arrazi, que já citamos como químico. Nasceu em Bagdad em 850 pouco mais ou menos, morreu em 932, e professou a medicina nesta capital durante cinqüenta anos. Este médico submeteu a uma rígida crítica, junto ao leito dos enfermos, todos os trabalhos de seus antecessores, e os tratados que compôs sobre a varíola, a escarlatina e outras febres eruptivas foram consultados durante muito tempo. Possuía extensos conhecimentos anatômicos, e compôs sobre as enfermidades das crianças um livro que foi o primeiro a tratar da matéria. Vê-se por suas obras que empregava agentes terapêuticos novos, como a água fria nas febres contínuas, remédio que há pouco tornou a entrar em moda; empregava também o1 álcool, a sedela, as ventosas na apoplexia, etc. Arrazi foi um observador tão atento e engenhoso como modesto, e conta-se que tendo certo indivíduo caído sem sentidos nas ruas de Córdova, apesar de todos os circunstantes o darem por morto, conseguiu salvá-lo mandando que lhe vergastassem todo o corpo com chibatadas, especialmente na planta dos pés. Como o califa o felicitasse por essa cura, dizendo-lhe que fazia ressuscitar os mortos, respondeu que vira no deserto empregar esse recurso com um árabe, e que todo o mérito de sua cura residia em ter observado que o mal do novo enfermo era exatamente igual ao do primeiro. A história não diz qual era esse mal, mas certos pormenores do relato parecem indicar que se trataria de uma insolação.
![]() |
| Jóias e pedras gravadas árabes. (Museu Espanhol de Antigüidades). |
As mais conhecidas obras de Arrazi, são: O continente, chamado assim por conter todo um corpo de medicina prática, eAlmansuri, do nome do príncipe Almansur a quem o dedicou. Este último divide-se em dez livros: 1.° a Anatomia; 2.° os Temperamentos; 3.° os Alimentos e Medicamentos; 4.° .a Higiene; 5.° a Cosmética; 6.° o Regimen de viagem; 7.° a Cirurgia; 8.° os Venenos; 9.° as Enfermidades em geral e 10.° a Febre.
Quase todas as obras de Arrazi foram traduzidas para o latim e impressas várias vezes, especialmente em Viena em 1509, e em Paris em 1528 e 1548. Seu tratado da varíola reim-primiu-se ainda em 1745. As lições de medicina que durante muitos séculos foram dadas nas principais universidades da Europa versavam sobre seus livros, os quais no século XVII compunham ainda, juntamente com os de Avicena, o texto seguido na universidade de Lovaina, segundo informa o regulamento da mesma, parecendo poder-se deduzir daí que apenas se prescreviam os aforismos de Hipócrates e o Ars parva de Galeno.
Referem os historiadores árabes que Arrazi perdeu a vista na velhice, em conseqüência de catarata e recusou deixar-se operar dizendo: "Vi tanto mundo e fiquei tão desgostoso dele, que não quero tornar mais a vê-lo".
Entre os médicos quase contemporâneos deste cumpre citar ainda Ali-Abbas, que vivia nos fins do século X e deixou, com o título de Malki, um livro onde está exposta a medicina* teórica e prática. O autor procura dar a entender que recolheu suas observações não-em livros mas em hospitais, e embora adote os princípios da medicina grega assinala numerosos erros de Hipócrates, Galeno, Oribase, Paulo de Egina, etc, afastando-se freqüentemente deles, sobretudo no modo de tratar as enfermidades. Estêvão de Antioquia traduziu esse livro em 1127, e o manuscrito foi impresso em Lião em 1523.
O mais célebre médico árabe foi Avicena, cuja influência se exerceu durante muitos séculos e a quem chamaram o príncipe da medicina. Nasceu em 980 e morreu em 1037. Começou sendo arrecadador de contribuições, chegou à posição de vizir, e embora morresse relativamente jovem em conseqüência de excessos de trabalho e de prazeres, suas obras são consideráveis. Seu principal livro de medicina, intitulado Canon, ou regra, compreende a fisiologia, a higiene, a patologia, terapêutica e a matéria médica, descrevendo as enfermidades’ muito melhor que os autores anteriores.
As obras de Avicena foram traduzidas para a maioria das línguas do mundo, serviram durante 600 anos de código universal da medicina, constituíram a base de estudos médicos nas universidades de França e da Itália, foram reimpressas até ao século XVIII e só há uns cinqüenta anos deixaram de ser comentadas na Escola de Medicina de Montpellier.
Avicena era tão afeiçoado aos prazeres como à ciência, e seus excessos, como já dissemos, abreviaram-lhe a existência; por isso se diz que nem sua filosofia, apesar de tão grande, lhe inspirou cordura, nem sua ciência médica, apesar de assombrosa, conseguiu dar-lhe a saúde.
O mais famoso cirurgião árabe foi Abulkassim de Córdova, morto em 1107, inventor de muitos instrumentos da sua arte cujos desenhos figuram em suas obras; entre outros descreveu a litotricia, considerada sem razão uma invenção moderna.
Abulkassim não foi conhecido na Europa até ao século XV, mas então sua influência chegou a ser imensa. O grande filósofo Haller observa "que suas obras foram a fonte comum onde beberam todos os cirurgiões posteriores ao século XVI".
A parte da grande obra de Abulkassim dedicada à cirurgia divide-se em três livros: o 1.° inclui o uso do cautério atual, o 2.° as operações feitas com a faca, a cirurgia dental e ocular, as quebraduras ou hérnias, os partos e a extração da pedra e o 3.° é dedicado às fraturas e deslocações. Embora a classificação seja defeituosa, os dados práticos são muito preciosos.
Os trabalhos médicos de Abulkassim foram primeiro impressos em latim em 1497, sendo sua última edição muito recente, uma vez que data de 1861.
Apesar de menos famoso que o anterior, Ibn Zohar de Sevilha, que vivia no século VII, desfruta ainda de grande reputação. Foi experimentador e reformador, simplificou a antiga terapêutica e provou que a natureza, considerada uma força interior, basta só por si para curar as doenças. Malgrado as preocupações juntou o estudo da medicina ao da cirurgia e da farmácia, e sua cirurgia contém dados muito preci-jsos em matéria de deslocações e fraturas.
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| Decoração polícroma de um pavilhão de Alhambra de Granada. (Espanha) |
Averróes, nascido em Córdova em 1128 e falecido em 1188, escreveu também sobre medicina; porém, embora muito mais conhecido como filósofo e comentador de Aristóteles do que como médico (*), deixou-nos alguns comentários sobre Avicena, um tratado sobre a triaga, um livro sobre os venenos, as febres, etc. Seus livros de medicina foram várias vezes reimpressos na Europa.
Higiene dos árabes. — Estes não desconheceram a importância dela, pois sabiam muito bem que a higiene nos ensina os meios de evitarmos as doenças que a medicina não sabe curar. As prescrições contidas no Corão, como por exemplo freqüência das abluções, proibição do vinho e preferência dada nos países quentes ao regime vegetal sobre o animal, são muito razoáveis, nada havendo que censurar nas recomendações higiênicas atribuídas ao Profeta.
Os autores árabes emitem com freqüência suas prescrições higiênicas em forma aforística que as torna fáceis de recordar; entre outras encontramos a seguinte indicação de um médico árabe do século XI: "Nada pior para um velho que mulher moça e cozinheiro hábil".
Parece que os hospitais árabes eram construídos em condições higiênicas muito superiores às dos nossos estabelecimentos modernos. Edificavam-nos enormes, e faziam circular abundantemente por eles o ar e a água. Tendo Arrazi sido encarregado de escolher o bairro mais saudável de Bagdad para se construir um hospital, empregou o seguinte meio que hoje não recusariam os partidários das teorias modernas sobre os micróbios: pendurou uns pedaços de carne em diversos bairros da cidade e declarou mais saudável aquele onde a carne levou mais tempo a decompor-se.
(1) Em todas as citações de autores árabes que fazemos nesta obra, reproduzimos os nomes tais como os alteraram as traduções latinas e o uso consagrou, ainda que nenhum se pareça com o nome original. Desse modo, Averroes chamava-se realmente Abul Walid Muhammad ibn Roshd. O nome de Avicena era Abu Ali Hassan ibn Abdillah ibn Sina. O mesmo acontece com os da maioria dos califas. Um livro onde se ortografassem exatamente os nomes árabes, seria ilegível para a imensa maioria do público.
Os hospitais árabes eram, como os modernos da Europa, asilos para os enfermos e lugares de ensino para os estudantes, os quais seguiam a carreira muito mais ao pé dos leitos dos doentes que no comércio dos livros, coisa bem pouco imitada pelas universidades cristãs da Idade Média, não obstante ser um ponto fundamental. Havia também reservados para certas categorias, em especial para os loucos. Existiam além disso, como entre nós, postos de socorro onde os enfermos podiam receber consultas gratuitas em certos dias da semana. Às povoações demasiado pequenas para terem um hospital, eram periodicamente enviados alguns médicos providos de remédios.
Os árabes conheciam perfeitamente a influência higiênica do clima; Averroes, em seus comentários a Avicena, preconiza como se faz hoje a mudança de clima para a tísica, indicando a Arábia e a Núbia como estações invernais. Justamente, ainda hoje se enviam muitas vezes para as regiões do Nilo próximas da Núbia as pessoas atacadas dessa enfermidade.
Os aforismos da escola de Salerno contém numerosas prescrições higiênicas inapreciáveis. Todos sabem que se deve aos árabes a reputação dessa escola, que foi tida como a primeira da Europa. Quando em meados do século XI os normandos se apoderaram da Sicília e de uma parte da Itália ocupadas pelos árabes, concederam às escolas de medicina por estes fundada, proteção igual às das demais instituições muçulmanas. Nessa altura um árabe de Cartago, muito instruído e chamado Constantino o Africano, recebeu o encargo de a dirigir, e tendo esse sábio traduzido para o latim as obras médicas importantes dos árabes, tiraram-se delas os aforismos que por muito tempo deram a Salerno sua alta reputação.
Os árabes tinham imensa confiança na higiene aplicada ao tratamento das doenças, e não consideravam menos os recursos da natureza; desse modo, a medicina preventiva que parece hoje o mais importante da ciência não raciocina de outro modo, parecendo-me além disso muito provável que no século X da nossa era aqueles médicos não perdiam mais doentes do que hoje perdem os nossos.
Progressos realizados pelos árabes nas ciências médicas. — Os mais importantes em medicina referem-se à cirurgia, à descrição das doenças, à matéria médica e à farmacopeia. Os árabes imaginaram grande número de métodos, alguns dos quais, como o emprego da água fria nas febres tifóides, reaparecem agora depois de muitos séculos de esquecimento.
A matéria médica deve-lhes muitos medicamentos, como a polpa da canafístula, o sene, o ruibarbo, o tamarindo, a noz vómica, o quermes, a cânfora, o álcool, etc. Dissemos já que eles foram os verdadeiros criadores da farmácia, pois a maioria dos preparados ainda hoje em uso, como xaropes, emplastros, pomadas, ungüentos, águas destiladas, etc., se devem a eles. Conseguiram também imaginar certos processos de administrar remédios, que depois de caírem em longo esquecimento se vão apresentando agora como coisas nunca sonhadas. Tal é entre outros o de fazer as plantas absorverem primeiro os medicamentos, como fêz Ibn Zohar, que curava os constipados mandando-lhes comer frutas de uma vinha regada com purgantes.
Além disso a cirurgia deve aos árabes progressos fundamentais, tendo suas obras servido de base ao ensino da medicina até uma época muito recente. No século XI eles já conheciam o tratamento da catarata por redução ou extração do cristalino, a litotrícia, claramente descrita por Abulkassim, o tratamento de hemorragias por meio de irrigações de água fria, o emprego dos cáusticos, das sedalhas, da cauterização pelo fogo, etc. A anestesia, considerada uma descoberta capital dos tempos modernos parece que não lhes foi desconhecida, pois eles recomendavam, antes das operações dolorosas, o emprego da cizânia para adormecer o enfermo "até que êle perca todo o conhecimento e sentimento".
domingo, 27 de novembro de 2011
Um poder de costas para o país
A Justiça no Brasil vai mal, muito mal. Porém, de acordo com o relatório de atividades do Supremo Tribunal Federal de 2010, tudo vai muito bem. Nas 80 páginas - parte delas em branco - recheadas de fotografias (como uma revista de consultório médico), gráficos coloridos e frases vazias, o leitor fica com a impressão que o STF é um exemplo de eficiência, presteza e defesa da cidadania. Neste terreno de enganos, ficamos sabendo que um dos gabinetes (que tem milhares de processos parados, aguardando encaminhamento) recebeu "pela excelência dos serviços prestados" o certificado ISO 9001. E há até informações futebolísticas: o relatório informa que o ministro Marco Aurélio é flamenguista. A leitura do documento é chocante. Descreve até uma diplomacia judiciária para justificar os passeios dos ministros à Europa e aos Estados Unidos. Ou, como prefere o relatório, as viagens possibilitaram "uma proveitosa troca de opiniões sobre o trabalho cotidiano." Custosas, muito custosas, estas trocas de opiniões. Pena que a diplomacia judiciária não é exercida internamente. Pena. Basta citar o assassinato da juíza Patrícia Acioli, de São Gonçalo. Nenhum ministro do STF, muito menos o seu presidente, foi ao velório ou ao enterro. Sequer foi feita uma declaração formal em nome da instituição. Nada. Silêncio absoluto. Por que? E a triste ironia: a juíza foi assassinada em 11 de agosto, data comemorativa do nascimento dos cursos jurídicos no Brasil. Mas, se o STF se omitiu sobre o cruel assassinato da juíza, o mesmo não o fez quando o assunto foi o aumento salarial do Judiciário. Seu presidente, Cézar Peluso, ocupou seu tempo nas últimas semanas defendendo - como um líder sindical de toga - o abusivo aumento salarial para o Judiciário Federal. Considera ético e moral coagir o Executivo a aumentar as despesas em R$8,3 bilhões. A proposta do aumento salarial é um escárnio. É um prêmio à paralisia do STF, onde processos chegam a permanecer décadas sem qualquer decisão. A lentidão decisória do Supremo não pode ser imputada à falta de funcionários. De acordo com os dados disponibilizados, o tribunal tem 1.096 cargos efetivos e mais 578 cargos comissionados. Portanto, são 1.674 funcionários, isto somente para um tribunal com 11 juízes. Mas, também de acordo com dados fornecidos pelo próprio STF, 1.148 postos de trabalho são terceirizados, perfazendo um total de 2.822 funcionários. Assim, o tribunal tem a incrível média de 256 funcionários por ministro. Ficam no ar várias perguntas: como abrigar os quase 3 mil funcionários no prédio-sede e nos anexos? Cabe todo mundo? Ou será preciso aumentar os salários com algum adicional de insalubridade? Causa estupor o número de seguranças entre os funcionários terceirizados. São 435! O leitor não se enganou: são 435. Nem na Casa Branca tem tanto segurança. Será que o STF está sendo ameaçado e não sabemos? Parte destes vigilantes é de seguranças pessoais de ministros. Só Cézar Peluso tem 9 homens para protegê-lo em São Paulo (fora os de Brasília). Não é uma exceção: Ricardo Lewandovski tem 8 exercendo a mesma função em São Paulo. Mas os números continuam impressionando. Somente entre as funcionárias terceirizadas, estão registradas 239 recepcionistas. Com toda a certeza, é o tribunal que melhor recebe as pessoas em todo mundo. Será que são necessárias mais de duas centenas de recepcionistas para o STF cumprir suas tarefas rotineiras? Não é mais um abuso? Ah, abuso é que não falta naquela Corte. Só de assistência médica e odontológica o tribunal gastou em 2010, R$16 milhões. O orçamento total do STF foi de R$518 milhões, dos quais R$315 milhões somente para o pagamento de salários. Falando em relatório, chama a atenção o número de fotografias onde está presente Cézar Peluso. No momento da leitura recordei o comentário de Nélson Rodrigues sobre Pedro Bloch. O motivo foi uma entrevista para a revista "Manchete". O maior teatrólogo brasileiro ironizou o colega: "Ninguém ama tanto Pedro Bloch como o próprio Pedro Bloch." Peluso é o Bloch da vez. Deve gostar muito de si mesmo. São 12 fotos, parte delas de página inteira. Os outros ministros aparecem em uma ou duas fotos. Ele, não. Reservou para si uma dúzia de fotos, a última cercado por crianças. A egolatria chega ao ponto de, ao apresentar a página do STF na intranet, também ter reproduzida uma foto sua acompanhada de uma frase (irônica?) destacando que o "a experiência do Judiciário brasileiro tem importância mundial". No relatório já citado, o ministro Peluso escreveu algumas linhas, logo na introdução, explicando a importância das atividades do tribunal. E concluiu, numa linguagem confusa, que "a sociedade confia na Corte Suprema de seu País. Fazer melhor, a cada dia, ainda que em pequenos mas significativos passos, é nossa responsabilidade, nosso dever e nosso empenho permanente". Se Bussunda estivesse vivo poderia retrucar com aquele bordão inesquecível: "Fala sério, ministro!" As mazelas do STF têm raízes na crise das instituições da jovem democracia brasileira. Se os três Poderes da República têm sérios problemas de funcionamento, é inegável que o Judiciário é o pior deles. E deveria ser o mais importante. Ninguém entende o seu funcionamento. É lento e caro. Seus membros buscam privilégios, e não a austeridade. Confundem independência entre os poderes com autonomia para fazer o que bem entendem. Estão de costas para o país. No fundo, desprezam as insistentes cobranças por justiça. Consideram uma intromissão. *Fonte:Marco Antonio Villa - O Globo - 27/09/2011 | |||
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